Ex-morador de Taboquinhas faz sucesso em Taguatinga com modo de driblar desemprego

Dupla faz sucesso em Taguatinga com modo de driblar desemprego. SBT exibiu os jovens e diversos sites bem conceituados compartilharam a matéria.

Às quatro horas da madrugada eles já estão trabalhando. Camisa social, avental e gravata borboleta compõem o uniforme. Como instrumentos, garrafa e bolsa térmicas e copos de isopor. O escritório é a rua, o patrão é qualquer um e o vermelho do semáforo dita o ritmo do serviço. É uma dupla nordestina recém-chegada a Brasília que ganha a vida vendendo café na avenida mais movimentada de Taguatinga, a do Centro. Em mais de 16 horas, ao custo de R$ 1, eles vendem até 200 unidades por dia. Trabalho, pra eles, não é problema.

“Em Brasília só não ganha dinheiro quem não quer ou tem preguiça”, garante Ítalo Leandro, 23 anos, que largou os estudos no Ensino Médio e chegou do interior da Bahia há dois meses em busca de oportunidades. “Lá está fraco de serviço”, justifica. No início, panfletava na Praça do Relógio e recebia R$ 30 de diária. Até que recebeu o convite para participar de um “projeto” para 2017: vender café na rua. “Todo serviço é digno e toda semana tenho dinheiro para mandar à família. É o que importa”, resume.

A proposta partiu do pernambucano e Ex-morador de Taboquinhas, Distrito de Itacaré-Bahia, Nei Teodoro, de 32 anos, que desembarcou na capital há oito meses. “Eu já vendia água, mas, com frio e chuva, ficava parado porque não vendia. Vi no café uma oportunidade. Planejei começar o ano inovando e graças a Deus tem dado certo”, conta.

Eles se dividem entre as avenidas. A maior preocupação é com o padrão. “O produto é bom, mas temos que ganhar a confiança do cliente, que não sabe a procedência daquilo que vendemos. Por isso ficamos vestidos de garçom, temos porte, forma de tratar, ingredientes e recipientes de qualidade”, explica o empreendedor.

Desde dezembro, Nei tem um certificado de Microempreendedor Individual emitido pelo Sebrae e alvará de licença provisória. O despertador toca às 3h para fazer o café. No semáforo, eles ficam até as 21h. A quantidade generosa do produto em um copo de isopor custa R$ 1, menos que um pingado oferecido em estabelecimentos em volta. “A gente não tem medo do trabalho. Na chuva, é quando o café mais sai. Usamos como oportunidade, não como limitador. Dá para tirar proveito de tudo”, defende.

Café no Sinal-Praça do releogio taguatinga-italo leandro Data:19-01-2017 Foto Sandro Araujo

Despertam a curiosidade

A novidade chegou neste mês e chama a atenção de motoristas e pedestres. A curiosidade, mais que tudo, faz a venda acontecer. Tem elogio, gorjeta, foto. Nas redes sociais, Nei já faz sucesso uma fotografia do serviço recebeu centenas de curtidas, compartilhamentos e comentários.

“Eu estava precisando mesmo disso. Achei uma ideia muito interessante e que chega na hora certa”, afirmou o autônomo Moacir de Melo, 51 anos, primeiro da fila de parada obrigatória, que chamou a atenção da dupla para garantir o pretinho no meio da tarde de ontem.

Na calçada, também tem sucesso enquanto o semáforo está livre para veículos. Os pescoços se viram para observar a atividade e as vendas acontecem assim mesmo.

O auxiliar de vendas Shereston Antunes, de 38 anos, valoriza a iniciativa: “Mostra que há possibilidade se tem vontade”, acredita. Ele lembra que, diante da crise, muita gente tem que usar a criatividade e das ruas para sobreviver. A própria irmã, desempregada, faz e vende dindim.

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