PT e políticos homenageiam Ricardo Zarattini, que faleceu neste domingo

Militante histórico das lutas do partido pela democracia, o ex-deputado federal foi preso e torturado, mas nunca abdicou de suas ideias e princípios. O Partido dos Trabalhadores (PT) lamenta o falecimento do ex-deputado federal Ricardo Zarattini – durante o primeiro governo Lula -, ocorrido neste domingo (15), em São Paulo. Militante histórico do PT, ele participou ativamente das lutas do partido pela democracia, sendo preso – e torturado – em diversas ocasiões, mas nunca renunciou às suas ideias e princípios.

Em nota divulgada pelo partido, Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT – diz que Zarattini era um “um exemplo de coerência e dedicação às causas do povo brasileiro” e “um militante histórico do socialismo e do antiimperialismo”.

“Sua vida foi um exemplo de coerência e dedicação às causas do povo brasileiro, pelas quais sofreu a clandestinidade, a prisão, a tortura e o exílio, sem perder jamais suas convicções”, diz o comunicado.

A perda do ilustre companheiro petista foi comentada por diversas figuras públicas como o ex-deputado Zé Dirceu, a ex-presidente Dilma Rousseff, líderes partidários, e por seu filho, o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que dedicou ao pai o seguinte poema de Brecht:

“Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”.

Seu amigo e companheiro de militância de longa data, o ex-ministro José Dirceu escreveu uma homenagem. “Sua razão de ser foi a revolução e dedicou todos seus últimos anos, meses, e dias ao PT”, lembra Dirceu. Carlos Zarattini, Dilma Rousseff, e Gleisi Hoffmann também escreveram um texto de despedida.

Leia abaixo a íntegra das homenagens de Dirceu, Zarattini, Dilma, e Gleisi, respectivamente:

Homenagem de Zé Dirceu ao Velho Zara

“Acabo de receber a noticia do falecimento do companheiro Zarattini com quem tive uma longa e grata amizade e laços políticos de luta e combate. Conheci Zara na troca do embaixador americano quando fomos libertados, mas ele já era um revolucionário de longa data, foi presidente da UEE, esteve na linha de frente da luta “O petróleo é nosso”, combateu o golpe de 64 – preso em 68 – torturado, fugiu e veio para São Paulo, preso de novo em abril 69, foi barbaramente torturado de novo, agora, na cadeira do dragão.

Em Cuba tive o privilégio de conviver com Zara e aprender com ele sempre buscando saídas para nossa luta.

Militou no PCB, PCBR, ALN ,TENDÊNCIA LENILISTA. Em 74 volta para o Brasil clandestino, e reinicia a luta, edita jornais, e busca a unidade dos revolucionários.

É preso novamente com Dario Canale, militante comunista italiano que eu conhecera na década de 60 na ALN. Na Constituinte, foi assessor do PT. Trabalhou na assessoria do PDT e foi eleito suplente de deputado em 2003 pelo PT. Assumiu em 2004, e fiz questão de estar presente já que me acompanharia como assessor na Casa Civil.

No dia de seu aniversário em 2013 fez um ato político em apoio aos condenados na AP 470 – um desagravo e um chamado a solidariedade.

Esse era o Zara já então o VELHO como o chamávamos com respeito e reverência. Toda uma bela vida dedicada ao Brasil e ao combate ao imperialismo como ele fazia questão de destacar.

Sua razão de ser foi a revolução e dedicou todos seus últimos anos, meses e dias ao PT. Eu pessoalmente não tenho palavras para expressar minha gratidão ao Zara, meu amigo e companheiro.

Lembro dele em Cuba, alegre, sempre debatendo, estudando, escrevendo. Corajoso, o humilde Zara era um homem charmoso e nos envolvia com seu carinho e amizade. Polêmico, mas sempre buscando a unidade.

Já sentia sua falta pela distância, agora honro sua memória continuando sua luta.

Até mais Zara, é o Zé, teu camarada de luta”

Homenagem de Carlos Zarattini

“Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.

Poucas vidas mereceram tão completamente este poema de Brecht, como a de Ricardo Zarattini, que faleceu em São Paulo, com 82 anos. Até o último momento de lucidez, discutia a situação do país, propunha iniciativas e ações a todos que o visitavam no hospital.

Entendia profundamente a gravidade do momento do alto da experiência de quase 70 anos de militância pela soberania nacional, participou ativamente como dirigente estudantil da Campanha O Petróleo é Nosso, militou por um País mais justo e pela democracia.

Preso pela ditadura militar foi banido e viveu em Cuba. De volta ao Brasil, se envolveu na luta pela reconquista da democracia e pela anistia. Foi dirigente do Partido Comunista Brasileiro e do MR-8, na década de 80 filia-se ao PT.

Foi deputado federal durante o primeiro governo Lula. Deixa seus filhos, Carlos Alberto Zarattini, deputado federal pelo PT e Mônica Zarattini, fotógrafa, além de três netas e uma legião enorme de companheiros e companheiras que compartilharam de seus ensinamentos, de sua experiência e de sua eterna juventude para com energia lutar por um Brasil soberano e justo para a maioria do seu povo”.

Depoimento de Dilma Rousseff

“Lamento profundamente a morte de Ricardo Zarattini, grande companheiro de luta pela democracia e pela emancipação do povo brasileiro.

Com sua morte, o Brasil perde um militante político corajoso e incansável. Em seus 82 anos de vida travou lutas decisivas. Liderou o movimento vitorioso pelo “petróleo é nosso” e combateu bravamente a ditadura militar sendo preso, barbaramente torturado e exilado.

Voltou o Brasil e, até o último dia da sua vida, assumiu as lutas pela democracia, contra a desigualdade e pela soberania do País.

Manifesto minhas condolências a sua família, ao seu filho, deputado federal Carlos Zarattini, e a seus amigos. Ricardo Zarattini é um exemplo para nós e estará sempre em nossa memória. Honraremos seu legado e seus compromissos com o futuro de nosso País”.

Nota da presidente do PT

O Partido dos Trabalhadores divulgou uma nota assinada pela presidente, senadora Gleisi Hoffmann (PR), em que faz uma homenagem ao “companheiro” Ricardo Zarattini.

O PT diz que Zarattini era um “um exemplo de coerência e dedicação às causas do povo brasileiro” e “um militante histórico do socialismo e do antiimperialismo”.

Zarattini, presente!

O Partido dos Trabalhadores presta homenagem ao companheiro Ricardo Zarattini, militante histórico do socialismo e do antiimperialismo.

Sua vida foi um exemplo de coerência e dedicação às causas do povo brasileiro, pelas quais sofreu a clandestinidade, a prisão, a tortura e o exílio, sem perder jamais suas convicções.

Nossa solidariedade à seu filho, deputado Carlos Zarattini, líder do PT na Câmara dos Deputados, aos familiares e aos muitos companheiros de luta que ele deixa. Ricardo Zarattini estará sempre presente.

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